À noite, por volta das 22:00 do dia 22 de maio de 2020, um primo meu faleceu aos 74 anos de idade. Ele estava com a saúde bem debilitada com a diabetes e com uma cirurgia cardíaca. Como ele foi internado no hospital onde trabalho para fazer uma amputação de uma das pernas, eu tive o privilégio de estar junto a ele nesse processo.
Eu não tinha nenhum relacionamento com Osório. Eu só sabia que meu pai gostava muito dele, que ele ela um senhor alegre e cheio de histórias. Até aquele dia da amputação, eu nunca tinha conversado com ele.
No hospital, eu conheci a sua esposa, chamada de "Fia". Por causa da pandemia do COVID-19, a família não podia visitar o paciente. Resolvi, então, ficar ao lado de Fia e dar apoio a ela. Ela estava muito ansiosa e temerosa. Eu não sabia da gravidade da cirurgia. Quando acabou tudo, o médico veio relatar que Osório teve um infarto durante a cirurgia e que foi demorada a reanimação. Fomos alertadas a esperar o pior.
Eu tenho orado por minha família há anos. Sempre peço a Deus por nossa unidade, libertação e salvação. Nunca é demais orar e pedir bênçãos para aqueles que amamos. Apesar de não conhecer a maioria dos meus primos e primas, coloco todos eles sob as minhas orações. Tios, tias, primos e primas estão sempre diante de Deus quando eu oro. Eu costumo pedir algo muito especial para Deus há muitos anos: que Ele me dê a oportunidade de falar do Seu amor e Graça a todos da minha parentela, nem que seja no momento da partida desse mundo. Creio que Deus pode transformar vidas até mesmo nos últimos instantes de fôlego e todos nós precisamos do toque de Deus. Com meu primo, mais uma vez Deus mostrou que se agrada do meu pedido.
Contrariando às expectativas médicas, no dia seguinte, Osório estava acordado do coma, alerta e muito bem. Apesar do infarto, ele conseguiu sair do tubo de respiração, bebeu água e se alimentou. Eu fiquei muito surpresa. Sabia que Deus estava cuidando de tudo, mas não imaginei que seria tão rápido. Por causa da sua melhora, ele estava conversando, e eu pude passar tempo com ele no CTI. Eu ali, sozinha com ele, tive a oportunidade de falar sobre o quanto Deus o amava e que Jesus tinha perdão pra ele. Ele foi ouvindo minhas palavras e reconhecendo a sua necessidade de ser perdoado e de perdoar. Eu não imaginava que, dias depois, Deus o chamaria para a Sua casa. Eu via a melhora dele e acreditava que teria alta e eu poderia visitá-lo mais vezes. Mas não foi bem isso os planos de Deus.
Por causa do infarto, Osório teve de ser transferido para outro hospital e não pude mais estar com ele. Nesse outro hospital as visitas e acompanhamentos estavam proibidos por causa do combate ao COVID-19. Nem mesmo Fia pôde estar com ele. Depois de alguns dias, Osório faleceu.
No sábado, 23 de maio, fomos ao velório. Da minha casa, só fomos eu e uma tia. No velório, no entanto, estavam todos da sua família, irmãs e sobrinhos. O enterro não ia demorar. E foi ali que Deus cumpriu uma de suas promessas na minha vida. Provérbios 21:21 diz que "quem se esforça em seguir a justiça e a lealdade, encontra vida longo, justiça e honra". E eu fui honrada ali!
Toda a família estava grata a mim por ter estado com Osório nos momentos mais difíceis da vida dele e pelo apoio, já que ninguém podia estar lá. Eles, unânimes, reconheceram que foi a mão de Deus que me colocou ali naquele hospital e me levou até ele. Fui recebida com muita gratidão por todos. O que mais me deixava feliz era eles reconhecerem Deus nesse processo e a honra maior foi eu ter tido a oportunidade de falar algumas palavras antes do enterro. Eu pude falar do amor de Jesus para meus familiares que eu mal conhecia, todos juntos, de uma só vez. Foi muita honra para mim orar com eles ali. Deus realmente é surpreendente!
Apesar de toda a dor da perda, eu vi que a morte de uma pessoa pode ser capaz de gerar vida e paz. Tenho certeza que Osório está nos braços de Jesus aguardando a ressurreição e que, a semente plantada em cada coração naquele dia, no tempo certo, germinará e florescerá e dará muito frutos para a glória de Deus!
Descanse em paz, amado Osório, foi um grande prazer te conhecer!

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